29 setembro 2006

MOMENTOS NORMAIS - Rapidinhas

No sábado, JR, o galã do SOM DA RUA e portanto o cara que arruma as boas de graça, conseguiu nos colocar gratuitamente no Rio Scenarium. Eram três: Eu, fabrízio e JR, claro.
Subimos, descemos, paramos, bebemos, voltamos e lá pras tantas, parados no balcão do bar, as três meninas que estavamos fitando se aproximam. Falei em voz alta pra ver se tinha retorno:

- Se Maomé não vai a montanha...

Uma delas completou, e para minha surpresa, certo! Não, não estou chamando as mulheres de burras, mas essas além de "vagarosas" eram um bocado, como diria vovó: Maleducadas.
Tentamos conversar como pessoas, e não como os animais doidos por algum pedaço de carne do sexo oposto que somos. Em algum momento, JR, que conversava com uma delas, deu as costas e saiu meio puto. Saquei que a menina que estava conversando com ele estava meio emburrada.

- Você está triste?

- ME ERRA!

nota mental1: Por que você não vai tomar no centro do olho do teu rabo do cú pra dentro!

Claro que a nota mental foi realmente mental. E não por educação, mas sim por que esse tipo de resposta a gente só consegue arquitetar na manhã seguinte. Saimos dali como todo homem sai de uma situação dessas: com cara de idiota, mas com a consciencia limpa de uma boa educação.

Descemos para aproveitar o forró que tocava no andar de baixo e como todas as meninas já tinham seus pares, me sobrou a gordinha.

nota mental 2: Quando olhei para a gordinha me lembrei da cena de "o último americano virgem", quando ele tenta cortar o sutiã da gorda com uma tesoura de costureiro. Hilário...ao mesmo tempo estava tentando lembrar onde eu guardava a tesoura...

Apareceu, na nossa frente, do além, uma morena muito gostosa, brilhando de tão morena! Linda! E perto dela apareceu um baixinho boa pinta convidando-a para dançar. Era o JR.
Dançou, falou no ouvido, arrastou pro canto e eu e Fabrizio montavamos o coro sussurrado:

- Fiiiilho da puuuuta....

Continuamos dançando com as gordinhas e uma quase-anã. Fabrizio foi quem puxou um assunto:

- E aí, o que vocês fazem?

- Somos professoras de química.

- Ahh - (Sorrisos para baixo) - Que barato!

Desistimos de qualquer coisa umas três horas depois, pagamos a conta e lá do lado de fora o JR aparece:

- E aí ? Como foi com a morena ?

- Cara se eu contar vai ser difícil de acreditar! A gente ficou mas não ficou, na verdade ela me deu o número dela e pediu pr'eu ligar daqui a dois dias. Ela não pode me beijar hoje.

- ?!?

- Pois é...tu viu o quanto ela era morena? Ela disse que tá fazendo um tratamento com ÁCIDO!

No dia seguinte o JR me conta, pelo MSN, que acabou beijando a morena.

- Cara, foi bom! Mas eu acordei com a garganta coçando!


*************

Fabrizio apareceu aqui em casa pra gente acabar de compôr umas músicas.
- Cara, se quiser comer, tem um QUICHE que minha mãe fez, lá na cozinha. Ta bonzão, aproveita!
Negou. Disse que estava sem fome. Umas duas horas depois ele volta atras.
- Cara, posso pegar um pedaço do CONDUÍTE?

*************

Camille virou minha correspondente internacional do Catete. Pedi à ela que coletasse os causos por lá para engordar o blog.

- Coé Camille, alguma notícia boa da terrinha?

- Da terrinha não, mas tenho uma boa da minha mãe. Ela me ligou à tarde me perguntando como fazia para assistir DVD no meu micro. Conseguiu por o disco e tudo mais, porém não conseguia abrir o ícone. Aliás, não conseguia abrir nada. Passei a tarde explicando onde clicar, como fazer e depois de muito desespero dela, eu fui pra casa ajudar.

- E qual era o problema?

- Ela estava usando o mouse de cabeça pra baixo.


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TOP 5 FRASES DE MSN:
5 - "vote na sua mãe, ela fará tudo por você!"
4 - " Jesus salva! Dribla Judas e passa para Moisés, que cruza para Pedro que bate e é GOOOOOOLL"
3 - " O problema dos nossos tempos é que o futuro já não é o que era!"
2 - " Agora que venha o CHURRASTRANCE do meu miguxoooooo"
1 - " Quem ama o feio, nem sempre o faz na frente de todos."

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Rodrigo, que trabalha aqui, vira e mexe tem uns surtos poéticos. O problema é que ele os recita aos berros como se fosse a música mais tocada do momento. Sempre que isso acontece recebo a explicação "fui eu que inventei". Hoje ele abusou:
- Se eu digo sim, mesmo assim, direi sim, por que sim! Quero assim, um sim!

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E aí, na terça-feira eu acordo com um tumulto na garagem, luzes e sirenes. Olhei pela janela e contei 1, 2, 3, 4, 5 carros de bombeiro.
- Pronto! Alguém resolveu se jogar de novo!

nota mental 3: O tijolinho, até onde eu sei, é recordista em suicídios e catastrofes da especie. Só no meu bloco foram 2. Um louco se jogou do 13 gritando para ganhar a atenção de quem estava no ponto de ônibus, e uma louca se jogou do terraço. Uma vez ouvi um vizinho que estava de mudança conversando com o Antônio na portaria. " Não dá pra morar aqui. O povo é muito mal educado, jogam coisas das janelas, até gente!"

Fui na sala perguntar se alguém sabia do que se tratava. Não achei ninguém. Fui na janela do corredor e tive resposta. O 13 e o 14 estavam pegando fogo. Lá embaixo estava praticamente o prédio inteiro. Voltei pra minha cama pensando nessa gente.
Festas juninas, reunião de condomínio, copa e o povo nunca se reune. As pessoas mal olham na cara do outro no elevador. Bastou uma desgraça e até as velhas fofoqueiras que reclamam de dor nas pernas, aparecem correndo com aqueles sorrisinhos demoniacos no canto na boca dizendo " Ooooolha...coitada dessa gente, não vai sobrar nada!"
Eu?
Eu parei de frente para a estante dos meus bonecos dos Simpsons e dei as instruções:
- Tudo bem gente, sem pânico! Se o fogo chegar no oitavo andar, vocês podem formar uma fila única com crianças e mulheres na frente...





26 setembro 2006

LAÇOS DE UMA PÁGINA APAIXONADA POR AMOR DE UMA FAMILIA - Cenas excluídas de uma novela de Manoel Carlos.

- Oi Helena!

- E aí querida! Ta fazendo o que?

- Tô indo buscar o Juninho na escola.

- Menina, e como ele tá? Deve estar um homem!

- Tá a cara do Moretti! Precisa ver! Outro dia veio me dizer que estava namorando uma menina lá do Leblon.

- Ihh! E qual o nome da gatinha?

- Helena.

- Que foi?

- O que?

- Você disse Helena. Achei que estivesse me chamando.

- Não, Helena é o nome da menina, Helena. É filha do Dr. Moretti.

- Ué, mas o Dr. Moretti não é seu marido?!

- Tô falando do outro! Aquele lá do Leblon, não lembra dele?! Aquele que batia na mulher!

- Gente! É verdade, coitada da mulher dele, a...

- Helena.

- Oi?

- Helena era o nome da mulher dele. Dizem que ela era alcoolatra, tava até frequentando o AA, do Leblon.

- Peraí, eu estou frequentando o AA do Leblon.

- Meu Deus?! Então você é a Helena que apanhava do Moretti?!

- Opa! Peralá! Meu marido nunca me bateu! Ele é um santo! A única coisa que ele fez de errado foi ajudar uma tal de Helena a trocar uns bebês do Hospital do Leblon.

- Eu soube disso! Parece que a mãe era uma menina de 15 anos chamada Helena, que engravidou do padrasto, um tal de Moretti, e nasceram duas gemeas, Helena e Helena, sendo que a Helena tinha cancer.

- Meu Deus, tadinha da criança!

- Não, não... a mãe, Helena, tinha cancer. Raspou a cabeça, um chororô danado.

- Menos mal.

- A criança tinha sindrome de down.

- Eu tenho um neto com sindrome de Down.

- Nossa, deve ser difícil.

- Não, eu não fiquei com ele. Dei pra uma tal de Helena, lá no Leblon.

- Que horror.

- Você não sabe nem o nome dele?

- Sei sim, dei o nome do meu pai, Dr. Moretti.

- Peraí, eu ontem li no jornal sobre o caso de uma mulher que foi presa, Helena se não me engano, que abusava de um filho adotivo ouvindo concavo e convexo do Roberto Carlos aos berros no prédio.

- Ah não, não era o meu neto. Essa aí era a vizinha da Helena que ta saindo com o Moretti, um garotão de 26 anos que mora ali no Leblon.

- Peraí! O meu Moretti tem 26! E pelo que sei aquela Helena é lesbica.

- Eu sei, tô saindo com ela.

- Eu achei que você era a bêbada!

- Não, a bêbada é você!

- É verdade! Bom vou indo senão chego atrasada no AA.

- Ta bom querida, também já vou, o Moretti ligou pedindo pr'eu ir correndo pra casa porque ele comprou uma raquete nova e quer testar! Beijos !

22 setembro 2006

CLÁSSICOS DO COTIDIANO - O VENDEDOR

Rodriguinho, que trabalha aqui na empresa, me chega hoje com essa:

"Tava eu lá na loja de auto-peças comprando os faróis da Fiorino quando adentra um desses paraíbas de cabeça de martelo de carne, vendendo umas canetas doidas. A caneta tinha uma cabeça de sapo em cima e quando voce apertava saia uma língua sinistra. Maneira até.
A dona da loja era uma coroa, dessas que tomam conta da loja pro filho, mal-humorada, ranzinza e pra completar ainda tinha que tomar conta da neta que estava lá na loja também.
A netinha ficou de olho nas canetas do paraíba, que aproveitou pra dar o bote:

- ÔÔÔ, mas que bichinha linda! Olha aqui meu docinho a canetinha!

Aí ele apertou a caneta e a lingua do sapo VUUUUP!

- Lindinha tu viu! Mas ia ficar mais lindinha ainda com essa canetinha!

- Ela não quer caneta não! - Disse a velha sem mexer um musculo do rosto.

- Eu quero sim vó!

- Quer nada!

- ÔÔÔ dona, olhaí ! A bichinha quer canetinha! Leve uma é cinco reais!

- Ela não quer!

- Quero sim vó!

- Viu! Olhe aí, tem rosinha, azulzinha, escolhaí...três reais, faço a três!

- Ela não quer caneta.

- Eu quero sim vó!

- Olhe Dona a bichinha ta pedindo...leve pra ela, eu faço a dois, pronto!

- Eu já disse que não.

- Mas eu quero!

- Fica quieta!

- Pronto! É só levar, dois reais!

- Ela não...

- Ô GENTE DIFÍCIL PORRA!!! - E saiu o paraíba puto carregando as canetinhas."

20 setembro 2006

A FÉ É FODA.

A fé é uma coisa mágica. Eu não sei qual foi a primeira religião que apareceu, mas acho que um dia, há muitos anos atrás, quando o ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-ta-taravô do meu bisavô ainda era um esperma que não desceu pelo ralo durante a puberdade (até porque naquela época não existiam chuveiros), alguém disse que se as pessoas não fizessem algumas coisas e fizessem outras, elas seriam recompensadas depois que morressem... E se não fossem recompensadas, é porque estavam fudidas. E se não acreditassem nisso, ai sim estariam fudidas mesmo. Como ninguém que morreu voltou pra dizer qual é o esquema, todo mundo achou que era melhor não arriscar.

As forças ou força superior que criou o universo, a vida e até os babuínos (que provam que se Deus existe, tem senso de humor) passaram a ser idolatradas, dando sentido à existência, respostas para mistérios insolúveis e até esperança para comer a gostosa que só vai te dar se realmente existir reencarnação.

A fé, esse poderoso anestésico para os problemas da vida cotidiana, é capaz das mais profundas transformações na vida de uma pessoa, e não está ligada apenas a religião. Ela funciona seja como um elo com o Criador, seja como motivo para votar no PT. O único problema da fé, é que quem tem muita fé, acaba sendo muito chato.

A fé pressupõe a aceitação de uma verdade que não foi comprovada e que independente de qualquer coisa é verdade. E se você questiona uma verdade, você pode ter diversas reações argumentativas, que geralmente são:

Com Base: - Você tem o direito de não concordar. Mas saiba que segundo uma pesquisa da Universidade Regional de Quixeramobim, nos testes realizados em laboratório, 58% dos ratos albinos machos tiveram melhor desempenho do que as ratas fêmeas. Logo, os homens são mais inteligentes do que as mulheres.

Sem Base: - Não cara. Me escuta. Você não entendeu. É que ela é muito simpática mesmo. Ela me explicou que aquele lance que aconteceu com o Paulão foi um mal entendido. Ela só estava nua porque tinha caído um bicho dentro da roupa dela. Ela me ama e jamais me trairia!

Inquestionável: - Tu acha que o Vasco não vai ganhar o campeonato???? Tu vai morrer filho da puta!!!!

Nesses tempos politicamente corretos em que vivemos, onde falar mal de uma crença pode acabar em processo judicial ou atentado terrorista, a única coisa que eu posso dizer, é que eu tenho fé que algum dia, um ex-namorado da Luana Piovani ainda vai “socializar” um vídeo caseiro dela no YouTube, cumprindo a profecia do meu guia espiritual Mestre Onã, e que eu me dedicarei para garantir meu lugar ao lado dele no Paraíso Hedonista das Ninfetas Despudoradas. E que assim seja.

UM DIA NORMAL - Do Catete a floresta de Sherwood.

Acordei as 9:30 da manhã por livre e espontânea vontade. As 12:00, que era a hora de sair eu senti sono, mas se me segurasse eu conseguiria acertar meu horário mais tarde. O Fabrizio chegou aqui em casa. Tinhamos gravação de uma entrevista na VENENOSA FM, uma rádio bem bacana, sem jabá, que, aqui no rio toca pela web, mas em outras praças você houve pelo rádio mesmo.

Me chamaram de barbudo, e eu estava de frente pro espelho com um prestobarba na mão pensando no que fazer...

Saimos de casa no horário bom, e chegamos relativamente cedo. No carro, entre os papos sobre música, mulheres e a Cicarelli na praia, o Fabrizio me conta:

- Cara, falando nesse lance de Cicarelli, lembrei de uma parada surreal.

- Conta.

- Ontem eu tava no msn quando o cara lá daquela revista me mandou uma mensagem escrito apenas "Você gosta de fazer sexo na praia?"

- ?!

- Pois é! Aí fiquei sem saber o que responder...eu não sabia se o cara era viado e tava me convidando, ou sei lá...

- E aí?

- Aí eu perguntei por que e ele disse que estava procurando pessoas pra fazer uma matéria sobre o lance da Cicarelli, e era pra ficar pelado comendo alguém na praia!

- Tá doido.

- Pois é, eu pensei sobre isso, mas achei melhor não.

- Você ainda pensou?

- Pensei cara, mas o cara se entrega né? Como é que ele aborda as pessoas com essa pergunta "Você gosta de fazer sexo na praia"?!

- Azar o dele. Pior devem ser as respostas que chegam tipo: "Hoje não dá.", " Você me pega? eu tô sem carro" ou "Pra que, se eu moro sozinho? vem pra cá."

Chegamos na rádio, que fica no prédio da extinta MANCHETE, e ficamos esperando o resto da banda. A Camille resolveu nos mostrar o visual do terraço, que é realmente absurdo de bonito, e depois no andar de baixo arrombamos o restaurante para o Fabrizio conferir o piano de cauda abandonado por lá.

- Sabe que eu tive uma idéia?!
- Não, eu tive uma idéia!
- VAMOS FAZER O CLIPE AQUI! - Dissemos em uníssono.

O ambiente era perfeito. Descemos. O resto da galera chegou junto com o povo do GRAM que estava lançando o cd novo aqui no Rio. Eles gravaram a matéria deles enquanto esperavamos na salinha do lado. Renato foi quem levantou a questão:

- Cara, olha o tamanho desses postes do aterro.

- Caralho, é surreal!

- Estamos no nono andar. Cada andar deve ter uns 4 metros. A recepção é bem mais alta. 36 mais uns 8 metros da recepção, 44 ... o poste ta mais alto ainda. Isso deve ter uns 50 e poucos metros.

- Como eles trocam essas lâmpadas?!

- Eles não trocam. Mandam instalar mais um refletor nos campinhos de futebol ali embaixo.

Ajeitei as costeletas, mas ainda faltava algo. Já sei! O que faltava era a falta das costeletas e sendo assim, gilete nelas...

Gravamos a entrevista e fomos almoçar num restaurante que a Camille disse que era bom, bonito e barato no Catete. Ela só esqueceu de acrescentar que ele estava fechado. Resolvemos procurar outro.

Anos atrás, quando o Rio de janeiro ainda se erguia, um jovem artista foi convidado a desenhar, projetar e tornar realidade, um bairro. O jovem americano aceitou o convite orgulhoso e sem muitas dificuldades pôs no lugar todo ar de sua genialidade modernista. Existem boatos de que ele também criou monstros para habitar aquele lugar, e nisso você pode acreditar ou não. Para melhor entender do que estamos falando, o nome do jovem era TIM BURTON e o Bairro era o CATETE. Segundo a Camille, o Catete é:

- É tipo o Centro da cidade saca? Menor, mas com todas aquelas muambas vendidas nas ruas, restaurantes caros e pessoas correndo pra lá e pra cá. A única diferença é que no Catete as pessoas que andam nas ruas são velhinhas.

- Saquei. As velhinhas são mais simpáticas.

- Não, não. Elas são mais fáceis de empurrar.

Enquanto digeria a informação, passou por mim um cara sem as duas pernas, andando com aquelas próteses fininhas. Antes que eu pudesse comentar algo, uma mulher que talvez fosse a menor mulher do mundo, sem ser anã, parou pra cumprimentar um amigo da Camille. Mais alguns passos, e surge em nossa frente um cara alto pra caralho mas com uma deformidade no rosto. Mais uma vez, Camille, a guia do Catete entrou em cena:

- Parece que pintaram a cara dele com guache, depois desistiram e tacaram água.

Antes de entrar no KFC, o lugar mais barato que achamos, ainda pudemos apreciar uma louca que mandava todos os taxis da rua "tomarnocusefudêviado!". Sim, essa era a frase-palavra que ela berrava, tudo junto mesmo, como essas pessoas que chamam um dos cantores sertanejos pelo nome da dupla inteira:

- Te adoro Seu Brunoemarrone.

Na fila do KFC o Fabrízio estava com uma cara de assustado.

- Que houve cara? Ta bolado?

- Tô.

- Com o que, cara?

- Com aqueles postes do aterro...surreal.

Camille e o outro cara que eu não lembro o nome, acabaram comendo de graça, por que o cartão tava fora do ar. Tentei a mesma tática e a única coisa que consegui foi um sorriso de lado da mulher do caixa e o apelido de "engraçadinho". Fui para a mesa e logo depois aparece o Fabrízio rindo sem graça.

- Tu ainda tá pensando nos postes?!

- Não. É que eu quase perguntei pra mulher se esse frango vinha com espinha.

Estavamos do lado de uma parede de vidro quando um barulho rolou do lado de fora. Era mais um ser do Catete que tinha tomado um estabaco e agora tentava se levantar mancando.

- Vambora daqui. chega de Catete.

Voltei pra casa para me arrumar para o show do GRAM. Estavamos com os nomes na porta e sendo assim a noite estava linda. Seguindo o pensamento " Se morrer custasse dez reais, eu não teria nem cãimbra", enchi o bolso com celular, cigarro e chiclete e parti. Mas antes dei um confere no resultado da minha transformação. Cavanhaque. É isso. Barba cresce.

O show tava muito bom, e a comida e bebida liberada também. Muita gente conhecida e papos em dia.

- Coé desse cavanhaque aí? Tá parecendo um mexicano.

Tudo bem, uma zoação é sempre bem vinda. Me juntei na rodinha com o povo da banda, mais alguns amigos e algumas perguntas sobre o novo visual. "Que isso gente! É só um cavanhaque, parece até que eu cometi algum crime". No meio do papo chega o Arthur do ELETRO, e antes mesmo de apertar minha mão ele manda:

- Fala Robin Hood!!!

Antes que eu dissesse algo chegou também o Manfredo, guitarrista da mesma banda, e ja que ele também usava cavanhaque, achei que seria um bom aliado.

- Ae Manfredo fala pros caras. O Arthur tava ai me zuando por causa do cavanhaque...

- Coe Arthur nada a ver! Olha aí, o cara ta com um visual maneiro...

- Obrigado amigo.

- ... Ta parecendo até o Robin Hood.

Resolvi descer pra ver o show. Lá no meio do povo da floresta de Sherwood. O show acabou e decidi partir na encolha. Mas antes peguei alguns chopps da área vip, coca-cola e tudo que era de graça, e distribui para a galera da pista. Já que estava levando a fama do bom ladrão, o negócio era entrar no clima.

- De onde tu pegou isso?

- Da realeza, caro amigo. Da realeza...


19 setembro 2006

DA SÉRIE "SORTE NO ORKUT" - SER OU NÃO SER. EIS A QUESTÃO.

Sorte de hoje:
"A felicidade é fazer o impossível."

Ouvir pagode, ser vegetariano, frequentar academia, não beber e ir a igreja... Será que é esse o caminho?

E ainda me perguntam por que eu gosto de Radiohead....

POST POLITIZADO.

ELEIÇÕES 2006:

O BRASIL ESTÁ EM NOSSAS MÃOS E NÃO ADIANTA LAVAR. VOTE CONSCIENTE... COMPRE UM TUBO DE KY ANTES.

18 setembro 2006

FIM DE SEMANA NORMAL.

- Tem trabalho onde?
- Angra.
- Fechou. Vou com vocês!

Pois é, viagem. A trabalho, mas viagem é sempre bom, ainda mais quando eu não montava um evento a quase um ano.

- Que horas vocês vão sair?
- Agora.
- Cedo né? São 7 da manhã.
- Pois é...aliás, o que você ta fazendo de pé essa hora?
- É uma boa pergunta. Tô tentando resolver ela desde ontem.

E de certa forma, isso poderia consertar meu horário humano e desfazer essa minha mania de hamster.

flashback 1:
Segurei a porta do elevador quando o Antonio porteiro gritou meu nome daquele jeito paraiba dele:
- Fala Antonio.
- E aí Emilinho, tu quer um misterréin pra você?
- Um o que?!
- Um m-i-s-t-e-r-r-é-i-n! É que eu comprei um pra minha filha mais o bicho é chato demais, mordeu ela dia desse e só dorme! Muito ruim aquela peste.
Tá certo que chegar a conclusão que eu cheguei poderia ser até um belo engano, mas em se tratando de Antonio Porteiro, era um tiro certeiro: Misterréin = Hamster.
- Quero não Antonio...já tive um monte de Misterréin e é um saco mermo!

Virado, de mochila pronta, subimos no que alguns chamam de "Viagrão", meu pai com muito orgulho chama de "Trovão Azul" e o resto do mundo chama de "Onibus Azul esquisito pra caralho" e pé na estrada!
Durante o percurso nada de muito interessante, a não ser uma placa enorme na estrada escrita : "GELO GELADO". Uma coisa é certa, a placa chama atenção. Só falta existir alguém que precise de gelo ( gelado! ) no meio da estrada.

Ficamos no CLUB MED. E antes de montar tudo, fomos almoçar aquela excelente comida de hotel.

É raro, mas dessa vez tinha uma "ela", de biquini roxo. Chamou a atenção e eu esperei a noite chegar...

Chegamos no quiosque onde montariamos o som e no meio das almofadas que beiravam a piscina, dois motivos nos desafiaram a montar e testar o som em silêncio. 7 meses e 5 meses eram as idades dos bebês dorminhocos. Silencio forçado, esforço dobrado e ao fim da montagem, com pausa para caçar a mãe de um dos bebês que acordou, e diga-se de passagem, era argentina, fomos suados até a recepção descobrir qual seria nosso quarto.

"O CLUB MED oferece a seus sócios e visitantes 14 quadras de tênis, 2 piscinas, ginásio poliesportivo, campo de futebol, Club Med Fitness com modernos equipamentos, arco e flecha, vela, windsurf, golfe e aulas de circo . Todos os dias, inúmeras atividades de lazer são oferecidas por nosso GO’s como aulas de dança e hidroginástica. Os apartamentos, todos de tamanho semelhante e com a mesma decoração, estão espalhados entre os jardins, o lago e o coqueiral deste verdadeiro paraiso tropical."
Só esqueceram de avisar que se você for instalar-se nos apartamentos do "recanto gaivota", que fica onde Judas perdeu a unha do mindinho, você estará verdadeiramente fudido no verdadeiro paraíso tropical!

Chegamos no quarto e o Fernando descobriu uma caixinha de fósforos na mesinha de cabeceira:
- Cara, olha que sinistro! O simbolo do CLUB MED é um tridente!
- É cara, você não sabia? Isso é um clube para satanistas.
- Ahhh para..claro que não.
- É sim! Sabe o que quer dizer o "MED"?
- Não, o que?
- "Me Encontrei com o Demônio."
- Cara...que sinistro!
Fui no banheiro e quando saí ele ainda estava sentado na cama olhando assustado para os fósforos.

De noite, uma banda que tocava pra ninguém, agitava o vento antes do jantar. Depois de 5 músicas eles perceberam que podiam ir embora.

- Cade a banda?
- Debandou.

nota mental1: Belo nome pra um grupo de pagode: Debandô! Com acento mesmo...nome de grupo de pagode tem que ter essas coisas, ditas "charme"...

Depois do jantar, montamos o som para a apresentação da bateria da mangueira. Chamei o técnico para saber se as duas caixas de som que puzemos de retorno serviam.

- Rapaz, não se preocupe com o retorno, porque o cara do cavaquinho é chato até com Deus.
- Como assim?
- Outro dia ele veio reclamar pra mim que não estava escutando o retorno dele, que estava no máximo.
- Mas isso acontece.
- Acontece não. Ele tava de "EAR".
- Porra...

A bateria mandou ver, com cinco mulatas que desviavam o olhar do Marcio que estava filmando, ou não.
No meio do show uma das mulatas puxou um gringo pra "sambar", e dois minutos depois dele subir no palco ela deu um tchauzinho e foi pro camarim. O retardado ficou lá chutando poeira sem saber o que fazer, até que o puxador o retirou do palco com um tapinha na bunda. Hilário.

"Ela" não estava tão acessível assim, um cara travou ela na pista e desandou a falar. Depois ela me puxou pro bar:
- Cara, não aguentava mais ele, ainda bem que você ta aqui.
- Podes crer. - Disse eu com um sorriso pra cima. - Ele era chato?
- Não...o cara até é legal, mas o papo era todo torto, e eu tenho namorado.
- Podes crer. - Disse eu com um sorriso pra baixo.
Rolou uma boa conversa e um "boa noite" de longe. A gente tenta amanhã...

O dia seguinte começou com a preparação de uma sala de apresentação de um maquiador, e sim...era viado. A fotografa que estava sempre por lá estava me contando que o tal viado era apaixonado pelo Fernando que em um outro evento inventou de tocar o piano de cauda do hotel, e aí, no melhor estilo Casablanca, o moça deitou no piano para assisti-lo e isso rendeu uma bela foto. E uma bela estória também!

Sobrou foi tempo livre. Fomos curtir a praia e na volta o palhaço aqui inventou de imitar macaco no jardim do hotel. A galera estava filmando da varanda. Depois de uns 15 minutos de apresentação é que eu fui descobrir um velhinho em outra varanda me olhando admirado.

- Opa! e ai, beleza?

Era eu sem graça, sentado na grama sem saber o que fazer. No fim das contas desisti de espera-lo, peguei uma folha da arvore, coloquei na boca e saí apoiando as mãos no chão.

Voltei para o quarto pra descobrir que estava sem agua. Resolvi esperar...dormindo. Quando acordei, fui conferir como estavam as coisas la no salão do maquiador, e descobri que o Fernando tinha armado pra mim. O viado se pendurou no meu pescoço pedindo uma foto. Pra fechar o evento, faltava um video, algo animado para passar pras pessoas, e com isso eu fui parar no telão, imitando macaco no jardim do hotel.

Fomos jantar antes da festa de encerramento e da-lhe comida de hotel! Alguém encheu um prato de camarão dizendo que aquilo era um sonho. Três minutos depois tinha um prato de camarão de lado na mesa e o mesmo alguém dizendo que aquele camarão estava uma merda.
- Relaxa... - Disse eu batendo as cinzas do cigarro no camarão. - A gente tá no raissoçaite!

A festa rolou por pura formalidade, ninguém ficou pra dançar , a não ser nós da produção, e uma figura que parecia uma lombriga epilética. Era o maquiador. Só nos restou fazer uma rodinha em volta dele e filmar mais algumas cenas comédias para a edição. As meninas chegaram e intimamos o DJ a tocar forró.
Puxei "ela" pra dançar com aquele ar de forrozeiro nato. No fim da música voltei pro meu canto envergonhado de ter dançado com uma forrozeira nata.

Acabei a noite de dia, com ela e o maquiador num dos sofás do hotel batendo aquele papo superficial de quem quer falar logo o que quer falar, mas não fala. O maquiador partiu e eu fui deixar ela no quarto.

- Você é muito neurado.
- Sou mesmo. Mas tenho meus motivos. Prefiro subjetivar tudo à falar abertamente.
- Mas por que? Isso é coisa de medroso.
- Pode ate ser, mas evita mal estar depois.
- Nada a ver.
- Então vem cá.
- Não, ou sim, ou não. Não posso, sério.
- Mas porque?
- Por vários motivos.
- Quais?
- Prefiro subjetivar à falar.
- Você é neurada!
- Não, eu sou medrosa.
- Rs...tá certo. Então boa noite!

Fui para o quarto arrumei minha mochila, acordei todo mundo e partimos de lá com a chuva abrindo o dia. Voltei pra casa virado, assim como saí. Dormi a tarde inteira e passei a noite acordado. Passei pela portaria pensando no fracasso em acertar meu horario, e quando estava segurando a porta do elevador ouvi o Antonio gritar:

- Boa Noite Misterréin!!!

16 setembro 2006

DIARIO DE UM HOMEM TEIMOSO.

- Tudo bem. Mas ninguém ta preocupado com isso... Alem de você.
- Não é que eu não entendo os sinais. Eu apenas ignoro eles.
- Com a experiência, aprendi que meus erros são apenas uma sucessão de Deja Vu.

13 setembro 2006

DA SÉRIE "FIGURAS ANTOLÓGICAS" - SARADOS DO UNDERGROUND

Pedro Ivo, André Macraio e Daniel Valeu


Voltamos com a nossa programação "normal"...

DIREITO DE PERDÃO.

perdão.
USEM FILTRO SOLAR...SEMPRE!
EU APOIO ESSA IDÉIA.

DIREITO DE RESPOSTA

Prezados.

Venho por meio desta, prestar esclarecimentos a todos os nossos leitores, no caso minha irmã e mais uns 3 ou 4 amigos.

Não posso negar que no momento realmente não disponho de tempo para observar o universo ao redor e fazer atualizações elaboradas, originais e pertinentes. Além disso, nos últimos tempos ando sorumbático e meditabundo em função da grande demanda de trabalho e enorme escassez financeira.

Todavia acredito que este seja um momento positivo, que terá como resultado a exploração de novos temas menos repetitivos do que a relação interpessoal homem-mulher, sobre os quais eu tanto disserto sempre chegando a conclusões imprecisas e duvidosas.

Infelizmente nesse período de reflexão existencial, não me ocorreu nada tão inspirador como "Arvores que bailam ao amanhecer ao som de Armandinho", e por isso acabei apelando para esse vídeo que me "tocou" profundamente....ui

Sendo assim, espero que todos entrem nesse espírito "Adoro apresentações de PowerPoint que eu recebo por e-mail" e se emocionem com essa narrativa brilhante, ainda que na voz de Pedro Bial.

Tranqüilizo a todos também em relação a minha permanência na equipe do Que Parada! mesmo que contrariando algumas determinações subjetivas da diretoria. Com a elaboração do novo layout do blog, sou quase como uma criança chinesa em uma das fábricas da Nike... Mão-de-obra barata e explorada que não reclama. A diferença é que no momento sou menos dispensável.

Face ao exposto, recomendo a todos que não percam meu próximo post, a letra de uma bela canção de Bruno e Marrone chamada "Dormi na Praça".

Sem mais a acrescentar, manifesto votos de estima e consideração.

Atenciosamente
Tobé
Um homem que ainda não assite Barbara Streisend.

CAROS LEITORES...

...venho por meio desta pedir desculpas pelo post anterior, feito por meu querido amigo Tobé. Acredito que muitos de vocês, assim como eu, estão cansados de assistir videos motivacionais. Ainda mais quando tal video já percorreu empresas, colégio, faculdades, internet, suas próprias casas e até mesmo sua bizavó, que desconhece o mundo cibernértico, chama a TV de caixa do demônio, e não mexe um musculo desde 1983, sabe recitar todo "filtro solar" de cor. Desculpe-nos do fundo de seus corações. Sei que podem fazer isso.

Para quem estiver preocupado, o Tobé não tentou suicídio. Ele apenas anda trabalhando demais. E para quem estiver revoltado, eu também acho o vídeo uma coisa do outro mundo.

Só não pedirei aqui desculpas pela narração do Pedro Bial, por que isso, realmente, é imperdoável.



Atenciosamente
A redação.

DA SÉRIE "O QUE É BOM NOS CUPEIA" - USE FILTRO SOLAR...



Tô sem tempo, então vai o video que eu acho irado. A legenda do original ficou ruim, então vai com o Bial.

Ps: Eu sei que é manjado.

12 setembro 2006

UM DIA NORMAL - A série.


Acordei com o povo de São Paulo indo embora. Eles estavam no estacionamento. Os olhos piscam três vezes pelo quarto para fazer o "scanner" geral da situação.

- Paaaaaaaii, Foi tu que roubou meu cigarro?

Lá do estacionamento ele dá uma risadinha amarela e tenta cinco vezes arremessar o maço até a janela do meu quarto. Em vão. Aí milagrosamente, na sexta tentativa deu certo. Não, não, ele não acertou o maço na janela. O milagre foi que meu irmão saiu do carro e resolveu a situação pondo o maço no elevador. Brilhante!

Quinta-feira eu quis ver "A dama da água", mas tomei um bolo e achei melhor ver na sexta.

Tudo bem. Cigarro ok. Agora vem a pelenga de ligar o computador. Nos dias de bom humor ele costuma ligar e desligar três vezes, por conta própria. É um inferno.

Liga.
Windows inicializando.
desliga.
liga.
tela preta.
desliga.
liga.
conecta.
messenger.
desliga.
liga.

Bacana né? Pois é, hoje ele estava de mau humor. Lá na oitava tentativa ele se rendeu.

Nada de novo na net, a não ser as novidades.

Olhei para o chão e vi minha bermuda jogada. No meio de umas cinco camisas. Descobri que só tenho essa bermuda. Abri a janela de novo, olhei pra rua e me decidi, vou comprar bermudas novas. Mas antes, precisava comer algo. Fui até a geladeira, abri. Olhei. Abri. Olhei. Fui pra janela, olhei a rua e me decidi. Preciso comer. Fui até o bolso da bermuda. Olhei. Fui até a janela e me decidi. Preciso tirar dinheiro.

Na sexta , talvez por ser muito idiota, forcei um segundo bolo, e deixei a "Dama da água" pra sábado.

O sujeito trabalha, ganha seu dinheiro com o propósito de ficar rico. E quer ficar rico com o propósito de aproveitar a vida. Daí ele põe seu dinheiro num banco, e gasta 3/4 do tempo de aproveitar a vida na fila que o banco lhe concedeu inteiramente grátis junto com a conta!
Ficar na fila pode ser divertido, levando em consideração as figuras clássicas:

- A velha
"É um absurdo! Como se a vida da gente já não tivesse sofrimento demais ainda ter que enfrentar essa fila."

- O velho
"..."

- O motoboy
" Caraaaaalho sangue ( coçadinha na parte da cabeça que está fora do capacete) mó filão..."

- O sem amigos
"Calor né? E o mengão? É conta?"

- O psicotecnico
" A fila é aqui, seguindo essa linha aqui do chão..."

- O cínico que entra na fila de clientes especiais fingindo que não sabia
" Ué, mas eu sempre entro nessa fila!? É só pra sacar esse cheque! Sou eu mesmo que assino, pode ver aí: Emilio Dantas."

Saí daquele inferno com mil diabos em zigue-zague me olhando de cara feia. Azar!

No sabado ela não me atendeu. Acreditei num desencontro, ou no celular vibrando, enfim. De qualquer maneira, a "Dama da água" ficou pro domingão.

Acabei comendo dois salgados no china e pela primeira vez na minha vida vi um desses vendedores chineses-coreanos-tailandeses-japoneses sorrindo. Na verdade era uma vendedora, mas mesmo assim foi surpreendente. Lembrei do dia de escola que eu e o falecido Bruninho fomos a um desses chinas comer. Estavamos atacando dois joelhos enquanto dois chinas discutiam detrás do balcão:

- tocoronoratataca!!!
- Xirocotonay tacuranaca!!!

E o Bruninho acompanhava a discussão, procurando um jeito de encerrar a briga.

- Ranaitaca tokonoco!!!
- Xiriu tereneketeke!!!

Foi quando um deles berrou:

- Tiroco niparo io io!!!

O Bruninho deu um tapa no balcão e berrou pro outro:

- Coé mané! Devolve o iô-iô do cara logo!!!

O domingo chegou e eu tentava compreender como é que um celular vai parar na bolsa de uma outra pessoa que estava embarcando para a Escocia e por descuido cai no Lago Ness servindo de alimento para "Nessie" o lendário monstro?! Na verdade ela não me atendeu de novo, eu é que preferi acreditar nessa versão. "Dama da água", só na segunda.

Cheguei no IGUATEMI para comprar alguma bermuda, mas fiquei coagido devido a simpatia dos vendedores que ocupam as portas das lojas.

E ai fiel! Posso ajudar? Ta procurando o que? Quer dar uma olhada nas peças novas que chegaram? Tem umas bermudas super transadas!

Decidi desistir das bermudas. Depois eu compro.
O shopping tava meio vazio. Fui no banheiro e mais uma vez passei por essas situações ridículas de banheiro de shopping.
Estou eu mijando, quando a porra da luz automatica apaga. Daí fico eu igual um peão boiadeiro, segurando o pau numa mão e sacundindo a outra no ar pra ver se o sensor descobre minha presença. É uma cena tão patética que é dificil acreditar que não tenha uma camera filmando isso para a diversão dos seguranças. Vou lavar a mão e dou de cara com uma torneira. Automatica. Como se não bastasse a guerra de descobrir como sai o sabonete da porra da saboneteira, que diga-se de passagem, era automatica, eu ainda tenho que ficar balançando a mão na frente do sensor da pia. Depois disso tudo é só secar a mão, adivinha onde? No secador, AUTOMÁÁÁTICO, que sopra um bafo quente que além de não secar porra nenhuma, só funciona se você balangar a mão na frente do sensor.
Aí eu penso comigo, pra que serve tudo automático se você precisa de trabalho braçal pra fazer funcionar?!

Sem bermuda, com a mão molhada, num shopping que nada mais pode me oferecer. Opa, nada não!

A DAMA DA ÁGUA!

Não estava passando no IGUATEMI, droga. Como era uma questão de honra, apostei no fracasso certo. CINEMA DO SHOPPING TIJUCA, pode parecer que não, mas eles existem.


Depois de tirar as teias de aranha do guichê, e três tossidas catarrentas devido a poeira, a senhorinha me vendeu o ingresso para o filme. Entrei na sala e não me espantei de ser a única pessoa por ali. Fiquei trocando de cadeira com pessoas imaginárias até as luzes se apagarem, por fim, sentei no mesmo lugar do início.

O filme é bem legal. Nada de final surpresa, de gente morta, de ET. Algumas loucuras, mas no geral bem legal. Pra quem curtiu o "corpo fechado" é uma boa pedida.

Saí do cinema com a certeza que o cinema do shopping tijuca é horrivel, a tela é pequena, o projetor é mal regulado, o som é uma bosta, mas algo funciona! O ar-condicionado! Que frio maldito!

Já que a parada era ver filme, parti pra locadora. Uma comédia idiota, um suspense bacana, e um filme de ação bom pra caralho!
"Uma comédia nada romantica", "A fraude" e "No rastro da bala" respectivamente.
E foi isso!

No msn ela me conta que não podia atender porque voltou com o namorado, mas eu ainda acho que esse celular tá na barriga do monstro...








DIARIO DE UM HOMEM TEIMOSO.

"É mesmo?!"
"Que legal..."
"Já esperava por isso."
"Podia ter me avisado antes, não teria te ligado tanto."

05 setembro 2006

AI, TUA IRMÃ É BAILARINA?

Pisar na merda, peidar no elevador, broxar e fazer sinal pro metrô. Vergonha? Que isso, bobagem. Pra tudo isso existem saidas. Arrastar o pé no meio-fio, pôr a culpa no seu cachorro, "isso nunca aconteceu antes" e fingir um alongamento, respectivamente. Pra toda ação, uma reação, e, sendo assim, as saidas existem pra muitos casos. Pra outros não. Fato. E estes chamamos de gafe.

Aquilo que chamamos de azar, os outros chamam de gafe. E Deus chama de "piada muito boa, hahaha". E você que nunca cometeu uma gafe, acha mesmo que pode se livrar de uma piada de Deus?

Eu estava lendo o blog do João que estava lendo o "que parada!" e, por causa da estória da tattoo da palheta que tenho, ele lembrou de um bom furo:

"Conversavam animadamente, Liô e André Frank (grande amigo e parceiro do Astronautas de Recife) após uma apresentação dos pernambucanos numa dessas festas da Labpop no “Odissauna”. Eis que chega um sujeito com toda pinta de vendedor de apólice de seguros, mete a mão entre os dois interrompendo a conversa, e com toda cara de pau do mundo, cumprimenta o André!
- Parabéns cara!!! Showzão!!! Tava querendo ver o Autoramas há muito tempo...
- Poxa amigo...obrigado... mas é Astronautas.
- Isso! Sonzaço, cara!!! Eu sou produtor, sabe? Produtor cultural... Faço eventos! Grandes festas... sou de Juiz de Fora! Agito todas lá, véio... vamos armar o Autoramas lá...
- É Astronautas! - interpelou, Liô (com o faro apurado pra picaretas fruto de todos os perrengues que passamos com o Som da Rua ao longo de 8 anos).
- Isso ai! Então cara... vamos fazer um show lá?
- É...vamos - respondeu o André meio sem jeito - poxa...legal.. mas como rola?
- Cara, eu comando! Só levo fera!!! Saca o CPM22? Já fiz lá!Pitty? Vai fazer lá agora comigo... e eu quero muito levar o Autoramas!!!
- Astronautas!!!!!!!!! – em uníssono.
- Isso, isso... é que o som ta alto... eu já bebi um pouquinho... hehe... sabe como é... então... Detonautas??? Detonautas faz direto comigo lá! São parceiros!!! Quem fez há pouco tempo e arrebentou, foi o Som da Rua!!! Sabe o Som da Rua??? São meus amigos. O “Lion”, cantor da banda, é meu brother!!!
- Ah... o Som da Rua fez?
- Fez!
- E o “Lion” é seu amigo...?
- Grande amigo!!!
- Ah... ok... bom... deixa eu te apresentar então o MEU amigo que não tinha apresentado até agora – diz o André já segurando o riso.
- “Fulano”, esse é o LIÔ, VOCALISTA DO SOM DA RUA."


Hoje, durante um ensaio que estavamos fazendo com o Jomar, tecladista do MUTRETA, foi a minha vez de gafear:

" Olhei para o teclado e tinham 3 teclas quebradas, em seqüencia.

- Porra Fabrizio, tu é foda! Botar o cara pra tocar com esse teclado fudido todo quebrado!

E o Jomar:

- Po cara...esse teclado é meu."


" Tava em Maricá, casa de praia. Mais de 20 pessoas reunidas e o Zé contava sobre comida de hospital:

- Aí meu pai , quando tava internado, comia aqueles macarrõezinhos...

- Cup Noodles! - Eu completei.

Rodriguinho, interviu:

- Que isso Emilio, o cara ta contando a estória do pai dele aqui e tu ta zuando?!

- Claro que não muleque! - Me defendi. - Tô falando isso porque devia ser cup noodles mesmo. E além do mais isso foi quando o pai dele tava internado, agora ele ta na boa né Zé?

- Ele morreu.

Depois disso fui pegar um jacaré e fiquei no mar até umas onze horas da noite."


Existem muitas outras estórias de gafes, mas por hoje é só. E a proposito, o titulo se refere àquela ridicula brincadeirinha combinada de escola, lembram-se?


03 setembro 2006

A HIERARQUIA DA FEIÚRA


As relações sociais são fascinantes e envolvem inúmeras variáveis de naturezas diferentes. E é assim, com essa frase de efeito parecendo introdução de apostila de física quântica que eu apresento um tema que causa amargura a maior parte da população mundial. Saber o grau da própria feiúra.

A insegurança é uma herança genética de 93.3% da população mundial (os outros 6.7% são autistas) e se manifesta em diferentes graus para todos, sem distinção de sexo, raça, classe social, credo ou corte de cabelo. Em grande parte dos casos, a insegurança é fruto de alguma paranóia física, às vezes infundada às vezes não.

Porém uma coisa que parece fútil, superficial e politicamente incorreta que é a valorização do aspecto físico, reflete diretamente no comportamento e pode deixar o sujeito mais ou menos feio.

Para ilustrar essa questão, vamos abolir a palavra “bonito” e adaptar seu significado. A beleza é um senso comum de simetria, mas tem critérios bastante individuais. Muitas vezes aquilo que parece um ornitorrinco africano para uns, pode ser uma estrela de cinema para outros.

Visto que todo mundo é feio seja porque faltam os dentes da frente, seja porque o terceiro cílio do olho esquerdo é maior do que os outros, vamos fazer aquilo que todo mundo mais gosta. Criar categorias, enquadrar todo mundo e depois dizer que “não tem nada a ver esse papo de generalizar e que cada um é de um jeito”.




Feio-Galã: Não é feio e sabe disso. Sente-se como a última lata de cerveja da festinha. Sua aparência abre todas as portas e todas as pernas. Comeria o próprio rabo, mas ainda não conseguiu porque mole não entra e duro não enverga.

Capitão: Esta no topo da cadeia da conquista, mas isso não quer dizer que tenha habilidade em conservar suas relações. Seu ponto fraco é o ego super inflado.




Feio-Legal: Acha que é feio como o cão, e como um cão, vira o melhor amigo de todo mundo. Muitas vezes sofre de uma espécie de anorexia da beleza e acredita que perderia uma conquista até para o Mestre Yoda, mesmo que ele não usasse seus poderes.

Tenente: Pode até ser relativamente feio, mas seu carisma confere a ele sua patente na hierarquia e chances melhores de ser bem sucedido na guerra. Seu ponto fraco é o ciúme.




Feio-Escroto: É o feio problemático. Pode achar que é bonito e ser bonito, pode achar que é bonito e ser feio. Não importa. Acha que todo mundo acha que ele é feio. E como todo mundo acha que ele é feio, ele acha que todo mundo tem mais é que se foder.

Sargento: Como tem dificuldade em se relacionar com pessoas sua influência e aceitação é reduzida, restringindo suas opções de conquista. Seu ponto fraco é achar que todo mundo tem mais é que se foder.




Feio-Feio: É indiscutivelmente feio. Não importa se é legal ou se escroto, mas se acha feio, todo mundo acha ele feio e a única coisa que se pode dizer de sua aparência é: “Cruzes! Bota a boca no cu e peida pra ver se o avesso é mais bonito”.

Soldado Raso: A única chance que o Feio-Feio tem de não ser um celibatário para todo sempre é ser muito inteligente, ou muito legal, ou muito engraçado, ou muito rico ou muito qualquer outra coisa. Seu ponto fraco é as outras pessoas não serem cegas.




Ornitorrinco Africano

É importante conhecer a patente para entender a dinâmica de funcionamento das relações. Se você for um Feio-Feio, não significa que você jamais vai se relacionar com uma Feia-Galã. Significa apenas que não depende de você, e sim dela. Caso você consiga “penetrar” no alto escalão, pode ser que você ganhe uma promoção (jogadores de futebol são um bom exemplo). Só não esqueça que “não tem nada a ver esse papo de generalizar e que cada um é de um jeito”.

DA SÉRIE "SORTE DO ORKUT" - MANTÉM A BOCA ABERTA.

Sorte de hoje:
"Você passará por algumas experiências maravilhosas"

Eu tenho um tratamento de canal e duas extrações de siso pra fazer...

ATENDIMENTO NOTA 10

Entro nessas lojinhas de (in) conveniencia e lá vem o parto:

- Me vê um Marlboro light maço.

- Marlboro.

balcão - Marlboro vermelho, box.

- É light, e maço.

- Perdão.

balcão - Marlboro light, box.

- Amigo, é o Marlboro light MAÇO.

- Caixinha ou maço?

nota mental1: Putaquiumiupariu, e tenho dito!

- ...maço.

balcão - Marlboro Light maço.

BINGO.





Tô eu devorando um daqueles sanduiches do AM/PM, quando um cara no balcão pede:

- Tem fosforos?

- Não senhor.

- É, tá dificil achar fosforos nos lugares hoje em dia.

- Pois é, eles estão em extinção.






Essa foi no FORNALHA, onde os preços dos salgados variam de acordo com a quantide de catupiry.

- Fecha a conta aí, irmão.

- Foram quantos salgados?

- quatro.

- Quantos com catupiry?

- Dois.

- Dois com e dois sem?

nota mental 2: Não amigão, dois com catupiry, e dois com catchupiray, um tipo de catupiry produzido com leite de texugo do sul do texas.


02 setembro 2006

DA SÉRIE - "O QUE É BÃO NÓS CUPEIA"

Quando entrei pra CIA AQUI ENTRE NÓS de teatro, conheci o doido Diogo Guanabara, bandolinista, que fazia graça conosco em cima do palco. Natalense e chegado numa cana, bastava algumas cervejas pra começar seu show de piadas, mas o que a galera curtia mermo era o tal do "Jesus no xadrez", literatura de cordel que o rapaz sabia de cor e salteado, tras pra frente. Pois bem, achei o tal cordel aqui na net. Lido não chega aos pés da interpretação de Diogo Guanabara, mas vale muito a pena...


Jesus no Xadrez
Zé da Luz

No tempo em que as estradas
Eram poucas no sertão
Tangerinos e boiadas
Cruzaram a região
Entre volante e cangaço
Quando a lei era no braço
Do jagunço pau mandado
Do Coroné invasor
Dava-se no interior
esse caso inusitado

Quando Palmeiras das Antas
Pertencia ao Capitão
Justino Bento da Cruz
Nunca faltou diversão
Vaquejada e cantoria
Procissão e romaria
Sexta Feira da Paixão

Na Quinta Feira Maior
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reuniu os moradores
Depois de uma preleção
Ao lado do Capitão
Escalava a seleção
De atrizes e atores

Todo ano era um Jesus, um Caifás e um Pilatos
Só não mudavam a cruz, os verdurios e os maltratos
O Cristo daquele ano foi o Quincas Beija-Flor
Caifás foi Cipriano, Pilatos foi Nicanor

Duas cordas paralelas separavam a multidão
Para que pudesse entre elas caminhar a procissão
Quincas conduzindo a cruz
Foi num foi, advertia
O centurião perverso
Que com força lhe batia
Era prá bater maneiro!
Bastião num entendia
Devido um grande pifão
Que tomou naquele dia
Dum vinho que o capelão
Guardava na sacristia

Cristo dizia: Ô rapaz,
Vê se bate devagar,
Já tô todo encalombado,
Assim não vou aguentar!
Tá com a gota pra doer,
Ou tu pára de bater ou a gente vai brigar
Jogo já essa cruz fora, tô ficando aperreado
Vou morrer antes da hora
De ficar crucificado!

O pior é que o malvado fingia que não ouvia
E além de bater com força ainda se divertia
Espiava prá Jesus, fazia pouco e dizia:
Que Cristo frouxo é você,
Que chora na procissão
Jesus pelo que se sabe
Não era mole assim não.
Eu tô batendo com pena
Você vai ver o que é bom
Na subida da ladeira da feira de Fenelon
O couro vai ser dobrado
Até chegar no mercado
A cuíca muda o tom

Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas, que com raiva,
Sacudiu a cruz no chão
E partiu feito um maluco
Prá cima de Bastião

Se travaram no tabefe,
Pontapé e cabeçada,
Madalena levou queda
Pilatos levou pancada
Deram um cacete em Caifás
Que até hoje não faz nem sente gosto de nada
Desmancharam a procissão,
O cacete foi pesado
São Tomé levou um tranco
Que ficou desacordado
Acertaram um cocoróte
Na careca de Timóteo
Que inté hoje é aluado
Inté mesmo São José
Que não é de confusão
Na ânsia de defender
Seu filho de criação
Aproveitou a garapa
Prá dar um monte de tapa
Na cara do Bom Ladrão

A briga só terminou
Quando o doutor delegado
Interviu e separou
Cada santo pro seu lado
Desde que o mundo se fez
Foi essa a primeira vez
Que Jesus foi pro xadrez
Mas num foi crucificado

01 setembro 2006

CRIANÇA

Hoje eu queria não ter passos largos
pra novamente aprender a amarrar os sapatos
Hoje eu queria que meu maior desafio
fosse voltar da escola sozinho
Queria contar de novo as horas
para ver minha mãe chegar do trabalho
de novo descobrir, chorar, sorrir
criar aventuras no quintal
ser qualquer herói, bandido
fingir que passo mal
matar aula
sentir calafrios por tantas matérias
chorar no fim das férias
colar figurinha
sonhar com a vizinha
ver filme pra gente grande
escalar estante
ler meu primeiro livro
ter medo de mendigo
não saber onde termina o mar
saber que existem coisas que os adultos não podem contar
desvendar
desenhar
comida da vó
passeio com o vô
palhaçada com a mãe
sinal do recreio
brigas, receios
paixões
dor de amor inocente
boca banguela, sem dente
janela, janelinha, porta, campainha
já pode tirar as rodinhas
tombo, mercurio cromo
foi nada, passou
levanta e vai
sorriso pro pai
primeiro bichinho
tartaruga, passarinho
queria de novo o fim de tarde
ainda de uniforme
surrado, suado
se eu dormir me acorde
briga de irmão
soco, palavrão
carinho, amor, atenção
queria só por um segundo, tudo de novo
achar que adulto é bobo
que o mundo é meu
plano pra fugir de casa e desistir logo depois
feijão com arroz
se não comer tudo não tem sobremesa
"olha a Teresa!", a sandália da vó
primeiro beijo, paixão de professora
não mexe na tesoura!
primeira madrugada acordado
agora eu sou grande
quanta novidade
quantas novas idades
parabéns pra você
abrir presente
tanto beijo de tia
deixa eu ficar só mais um pouco
tanta risada, gargalha, rouco
Só queria um minuto pra voltar
e ter a doçura de pensar
que nesse mundo louco
tudo estava em seu lugar.


Emilio Dantas da Silveira Netto