"GORDO!"
Fiquei devendo o comprovante de residencia, o atestado médico mas já podia começar:
- Aí parceiro, tá tudo certinho, tranquilo! Se quiser fazer uma esteira, uma bike, já ta liberado.
- Já pode?
- Já, vai lá!
- Segunda...segunda...
A noite, partimos para o aniversário do Martins lá em Santa Teresa. Eu ainda não me sinto totalmente a vontade com essa galera nova, e isso faz com que eu pareça estar mais vontade do que eu realmente ficaria, resumindo: Eu pareço uma criança de 5 anos debaixo do balão gigante cheio de balas.
Rolou uma violada no segundo andar do "Santa Saideira". Rolou também um medo do mezanino despencar, uns papos tortos, outros maneiros e alguns dialogos dignos do blog:
- Minha amiga me largou aqui sozinha...
- Ahh...sei.
nota mental 1: Sozinha?! Ela não deve lembrar que essa deve ser a quarta vez que nos falamos...
Ela sacou.
- Não! Não quis dizer sozinha...
- Entendo.
- É que eu conheço quase ninguém aqui.
nota mental 2: Opa...vou ali buscar uma cerveja! / E aí, vamos cantar os parabéns?! / Lembrei que eu tenho dentista. / Ah...é...então...
- Ah...é...então...
- Que foi?
- Nada, eu tava pensando no meu blog...
- Você tem um blog? Qual o endereço?
- Você não vai conseguir guardar de cabeça. Me adiciona no orkut e eu te mando.
- Qual seu nome lá?
- Tenta: Quase Ninguém.
A primeira mulher da nossa vida nunca perde o charme...pode até perder outras coisas, mas o charme não. A minha morava aqui no prédio e depois de um tempo ela trocou a preferencia e sumiu. Uma pena, porque nós, mesmo não estando juntos, tinhamos um bom papo, nos divertiamos e ela, tinha o charme...
No sábado acordei com a TV ligada e presenciei um show de horrores dois em um. Gilberto Barros, o Leão, estava lançando um CD. Enquanto eu permanecia de olhos fechados, na cama, era difícil de acreditar no que eu estava ouvindo. Depois que abri os olhos e vi ele fazendo caras e bocas para cantar, pondo a mão no ouvido e fechando os olhinhos eu tremi de medo. Mudei de canal. Logo mais tinha festa do Beto, lá no Grajaú.
Eu moro, praticamente no Grajaú, e mesmo assim ainda me perco por aquelas ruas.
flashback 1: Saí de casa a pé, fui até o Grajaú e adivinhem? Me perdi.
- Opa amigo, você sabe como faço pra chegar no Tijolinho?
- É sério? Qualquer idiota sabe onde fica o Tijolinho...
- Ah é, mas é que eu não moro aqui...
- Mesmo assim...
- Porra, vai dizer ou não ?
As festas do Beto sempre foram uma orgia alimenticia. Dessa vez foi em dobro. Salgadinhos diversos, Pastinhas de salmão, ricota, tomate seco, canudinho de bacalhau, sanduiches a metro, ovinho de codorna, docinhos, pão de mel, bolo etc. Tudo em grande escala. Só começamos a conversar depois de comer tudo que era possivel. Mariana foi quem abriu a conversa com uma dica :
- Gente, respira curtinho que dói menos...
Tobé contou sobre sua aventura para cortar o cabelo, mas isso vai ficar para o próximo post dele. O Fernando voltou da cozinha com a cerveja.
- Ae Fernando, entrei pra academia.
- Tô sabendo, já tá rolando o bolão.
- Qual teu palpite?
- 3 dias.
- Já ganhou.
A Camila, esposa do Beto esta grávida e ficamos viajando em como serão as festas futuras da galera.
- O que eu sei é que nas próximas festas o Beto vai aparecer com aquelas camisetas com um pézinho de criança borrado de tinta escrito "super pai" em cima.
- Ou aquelas estampas da familia no zoológico com uma daquelas bolas prateadas cheias de Helio amarrada no carrinho.
- Eu quero ver quando o Emilio tiver um filho. Vai pagar os pecados.
- Eu sou prevenido, meu filho vai chegar nas festas dentro de uma jaulinha, e só vai sair de lá depois que boa parte das crianças já tiverem ido embora.
A familia do Beto notou nosso apreço pelos quitutes servidos e fez para cada um de nós uma quentinha monstro. Antes de ir embora o Tobé parou de frente para uma vela decorativa de cabeça de abóbora e gritou para a Camila:
- Essa abóbora é de comer?!
Outro dia encontrei com ela no elevador, estava voltando de uma festa. Puxei um assunto qualquer e antes de sair abracei ela. Nada rolou. Eu devia ter pego o número do celular, ou algo assim. Foi um raro momento em que encontrei com ela sozinha. Na anterior ela estava com uma "mulher" que quando notou meus olhares, estalou os dedos, ajeitou o saco e coçou o cavanhaque...
Antes mesmo de voltar pra casa, Valeska me ligou dizendo que estava com o Pelé no diagonal. Chamou eu fui.
- Olha aí o doce!
Joguei a "bandeja" de docinhos da festa e a galera foi ao delírio. O fato é que quando junta eu, Pelé e Valeska numa mesa de bar, o assunto varia entre sacanagem-babaquices-sacanagem.
Comentamos sobre quem pegou quem no elenco, feijoadas da casa do Pelé, shows de cada um, quem pegou quem fora do elenco, quem pegou quem na feijoada da casa do Pelé e lápras tantas o assunto chegou no flat mal-assombrado que a Valeska morava.
- Tinha espíritos lá, eu lembro muito bem.
- Tá amarrado...
- Eu sempre deixava a TV ligada no Shoptime na hora de dormir.
- No Shoptime?
- É, por que o shoptime é a certeza de um mundo real. São pessoas vendendo coisas para outras pessoas. É uma realidade instantanea. Imagina acordar de um pesadelo e dar de cara com um filme de terror no corujão? Ou com uma encenação do "fala que eu te escuto"? O shoptime é real!
- É verdade...nunca pensei nisso.
- Pois é...e na pior das hipoteses ainda tem um telefone na tela para você ligar. "Alô, não quero comprar nada. É que tive um pesadelo e preciso conversar com alguém."
- Brilhante Valeska!
Falamos sobre as teorias insanas de cada um. Eu expliquei rapidamente o fenomeno das festinhas de criança:
- Sambou descalça no fim da festa, podes crer que é a Madrinha. Sempre a Madrinha. É ela a primeira a ficar descalça pra sambar.
O papo acabou na madruga e fomos pra casa.
Acordei tarde no Domingo e quase não votei. Quase. Fui naquela preguiça, olhando pra chão para tentar achar algum número pra colar. Não lembrava qual das 6, era minha seção:
- Emilio Dantas.
- Não é essa.
- Já vi que isso vai ser divertido.
- É...muito provavelmente será a última que você procurar.
A garota estava certa. Pensei em escrever um projeto para as próximas eleições. Voto pelo telefone. Quem concorda levante a mão.
A noite fui assistir a última apresentação do "tv temas" um musical que tinha a participação do Liô na bateria. brilhante! Com toda essa exploração enjoada de festa Ploc, os caras conseguiram fazer algo completamente diferente com o mesmo material. Pena que foi a última apresentação. destaque para a piada: "Foi confirmado: Tony Ramos e Claudia Ohana não são os pais do Chewbacca."
Adivinha quem apareceu na área? Ela vota aqui. Talvez a única coisa boa que as eleições proporcionam é a volta de pessoas que sumiram. Subi no elevador com ela...e o irmão. Decidi esperar na janela a hora em que ela sairia e ai algum plano surgiria. Ela saiu e o estalo foi descer correndo, pegar o carro, passar pelo ponto de ônibus como quem não quer nada e oferecer uma carona.
Ela entrou no carro e seguimos botando o papo em dia, rindo de velhas estórias e para minha surpresa ela tambem procurava uma brecha para conversar comigo de novo. Acabamos nos beijando e prometendo nunca mais perder o contato. Acabamos o dia na praia relembrando a primeira vez.
Se a vida fosse um filme seria assim.
Saí com o carro e não a achei no ponto de ônibus. Em nenhum dos três. E peguei um transito filha da puta pra voltar pra casa.






