25 Abril 2007

TRÊS SÉRIES DE CINCO CONTRA UM.


Existem certas coisas que nunca mudam. Mesmo que eu tome uma decisão contrariando a voz interior que diz para não fazer algo que eu já fiz, usando o argumento "dessa vez vai ser diferente", na verdade eu só estou dando motivos para em pouco tempo essa mesma voz ecoar na mente dizendo "não te avisei, babaca".

Geralmente isso acontece quando eu decido encarar um revival com ex-namorada, comer uma coxinha na birosca onde até um bebum tem medo de tomar cachaça, e é claro quando o eu, sedentário de berço, decido deixar essa vida para trás e transferir o orçamento da cerveja para uma academia.

De qualquer forma, eu agora trabalho num prédio que é proibido fumar e rodeados por pessoas saudáveis. É praticamente impossível que com tanta gente esfregando na minha cara, ainda que silenciosamente, o colesterol baixo e o pulmão limpo, eu não me sensibilize e tente mais uma vez embarcar nessa onda de geração saúde.

Comecei a pensar qual esporte eu teria prazer em praticar e, na minha opinião, tirando sinuca (que eu nem sei se é considerado esporte), quase todos são tão legais quanto um tratamento de canal.

Depois de muito pensar eu achei a idéia de fazer natação interessante e foi assim que eu fui parar na academia que tem no meu prédio. Confesso que foi enriquecedor observar claramente como funciona o mecanismo de defesa do ser humano em um ambiente hostil.

Fui na academia acompanhado por uma colega de trabalho que também estava procurando um lugar pra malhar. Ao chegar lá, uma simpática e gostosa recepcionista perguntou como poderia ajudar. Flashes libidinosos passaram na minha cabeça por 2 segundos, mas a prudência triunfou sobre a honestidade e eu inicie o dialogo:

- Oi. Vocês tem natação aqui? . (caralho..que peito).

- Temos sim. O problema é que todas as nossas turmas estão lotadas.

- Putz.

- Mas nos temos diversas atividades aqui. Você não quer olhar nosso programa?

- Não. Na verdade eu to querendo fazer natação mesmo. (porra...nota 10 esse peito).

- Eu posso colocar você na fila de espera. Se houver alguma desistência de alguma das turmas, dá pra encaixar você.

- Humm...E ta quanto a natação? (me encaixar...)

- Bom. Depende de quantas vezes por semana você quer fazer.

- Eu tava querendo fazer todo dia. Mas eu não to querendo ficar em fila de espera não. Vocês têm algum horário que a piscina fique livre sem ser para aulas?

- Temos sim. Se você fizer o plano de ginástica e musculação você tem direito a usar a piscina. Qual o seu peso?.

- (Porra...Perae...como assim qual meu peso? Que merda isso tem a ver com usar a piscina?) Pra que você quer sabe meu peso??

A expressão da gostosa ao ouvir minha pergunta foi um misto de confusão e incredulidade, seguida da afirmação:


- Não. Eu perguntei qual a sua EMPRESA. Eu vi que você está de crachá e deduzi que você trabalhava aqui no prédio. Nós temos convênio com a maioria das empresas daqui. Além disso, por que eu perguntaria seu peso???


É impressionante como algumas vezes a cabeça trabalha rápido quando você faz papel de idiota. Diferente do que era mais provável, em menos de um segundo eu fui capaz de formular uma explicação que envolvia psicologia, sociologia, antropologia, ciências sociais e sensacionalismo barato de revista de fofoca. E nesse mesmo segundo, eu percebi que seria mais rápido e pratico dizer:

- Pô...sei lá. De repente vocês inventaram um plano inovador onde a mensalidade é cobrada de acordo com a quantidade de água que alguém joga fora da piscina quando entra... hehehe. (putz...eu sou um idiota)

- huauhauhahuauauha (putz...ele é um idiota).

- Porque vocês não entram para conhecer as nossas instalações. A piscina é logo aqui do lado.

- Beleza.

Entrei na academia com uma sensação peculiar de que as pessoas que estavam lá transpirando ofegantes tinham poderes paranormais e sabiam mais sobre o meu pulmão do que um médico com a minha abreugrafia.

Olhei a piscina e lembrei que eu estava no décimo andar de um prédio e já que o plano que eu teria que fazer envolvia Ginástica e Musculação, fui olhar o que mais a academia oferecia além da recepcionista gostosa, da piscina e do rombo na minha conta bancária.

Havia uma sala cheia de pesos e um quadro, com um calendário com as seguintes informações espalhadas em dias diferentes: Core-ABS, Strech Along, Power Flex, Jump Fit, Glúteo, Jump.

- Caralho...que diabos é Strech Along?

Minha amiga mais familiarizada com o culto ao corpo, arriscou.

- Acho que é uma aeróbica mais voltada pra alongamento.

- Humm.

É claro que isso não respondeu minha pergunta. Na verdade, se fora da academia alguém dissesse que existe uma coisa chamada Core-ABS, a primeira coisa que eu iria imaginar é que isso era um termo técnico para testes de colisão de veículos feitos com aqueles bonecos que parecem manequim. Talvez até seja isso mesmo e a aula recebeu esse nome pois é como a pessoa se sente ao fim dela.

Andei em direção a saída imaginando o que seria uma aula de Power Flex e a simpática recepcionista estendeu um folheto da academia.

- Valeu. De repente eu venho aqui amanhã pra dar uma olhada na academia no horário que eu quero usar a piscina. (Power flex...puta que pariu)

- Vem sim. Eu não estou no horário da tarde, mas é só você falar com alguém aqui na recepção.

-Pode deixar. Obrigado. (Mamitos flexión...)

- Tchau (putz...ele é um idiota).

Sai de lá convencido de que eu não tenho o perfil para esse tipo de atividade, mas talvez a teimosia aliada ao argumento “dessa vez vai ser diferente” venha a custar muitos reais mesmo que a academia não cobre pela quantidade de água jogada para fora da piscina.

Por enquanto, o único lado bom dessa história é a recepcionista. O lado da frente dela é ótimo.

O METRÔ

Era sempre uma esperança.
Ele se sentia apertado. Preso. Enclausurado.
O suor das mãos do rapaz que segurava a barra de ferro um pouco mais acima, começava a formar gotas que desciam vagarosamente.
O metrô era um inferno. E ele gostava.
Uma das gotas alcançou sua mão. Fez cara de nojo.
"Estação...chuinjfifds....Carioca."
Entraram pelo menos dez possibilidades. Sete de terninho colorido, duas de jeans e blusinha de botão e uma de vestido.
Era sempre uma esperança.
Ele sonhava com amores de filmes. Alguém lhe disse que isso era impossível.
Passou a sonhar com os amores das propagandas de seguros.
Talvez aconteça.
Mais uma gota.
Mudou de lado, resmungando.
Deu de cara com ela.
Não era nenhuma das dez possibilidades. Ela era a décima primeira. Primeira, em ordem de importância.
"De um a dez, onze!"

Ela estava a caminho do trabalho.
O dia era cheio.
O metrô era um inferno.
Ela se sentia apertada. Presa. Enclausurada.
Não segurava na barra de ferro por vários motivos.
Primeiro, por detestar os caras que seguiam o balanço do metrô.
Segundo por não ter como segurar seu livro direito.
O metrô era um inferno. Mas ela gostava.
Era sempre uma esperança.
Na verdade, virou sua única esperança.
Deixou de ir para o trabalho de carro para acabar aquele livro.
O ônibus demorava demais.
O metrô tinha o tempo certo.
Abriu na penúltima página.
O cara da frente se virou resmungando.
Parou com cara de bobo.
"Até que ele é interessante, seria melhor se estivesse atrás de mim seguindo o balanço do metrô...melhor do que essa cara de bobo."
Voltou para a página.
O bobo ficou.
Não via a cara dele, mas conseguia sentir que ele estava ali olhando.
Olhou de novo.
O bobo tava lá.
Voltou pro livro.
Perdeu o raciocínio nas últimas três linhas.
O metrô era um inferno.


Depois que ela saltou ele soube exatamente o que falar.
Achava aquilo estranho. Na verdade, achar estranho era a forma que tinha para se consolar.
Era idiotice mesmo.
Jogou a pasta sobre a mesa, o terno sobre a cadeira e a esperança no almoço.
Era sempre uma esperança.
Focou o trabalho com a mesma fome com que ia ao MacDonald's.
Sonhava com os amores das propagandas do MacDonald's.
Amo muito tudo isso.
Pensava na busca e desenhava a proporção.
Era estranho.
Era idiotice mesmo.
Quanto mais buscava, mais era idiota.
Ele poderia ter dito algo no metrô.
" Também, como é que se puxa um assunto no metrô?! Num lugar apertado daqueles!?"
O metrô era um inferno.


O MacDonald's era o lugar ideal.
Come-se rápido e sobra tempo pra ler.
Ler as duas últimas páginas do maldito livro.
Ela pensou em nem almoçar.
Se algo de errado acontecesse, ainda teria o tempo em que estaria comendo pra ler.
"Leio e emagreço."
A fome ficaria para o livro.
Ela sonhava com os amores dos livros.
Sonhava com amores clássicos. Com o índio Pery.
Alguém lhe disse que era impossível.
Passou a sonhar com os romances de jornaleiro.
Era provável.
O amor poderia estar em qualquer lugar. Os livros lhe mostravam isso.
E lia.
E tentava ler.
As últimas páginas.
Alguém sentou-se à sua mesa sem nem pedir licença.
"mal-educado"
Era o bobo.
Ele era estranho.
Na verdade era idiota. "Estranho" era o termo que usava para se consolar em se sentir atraída por um idiota.
Voltou ao livro.
Agora ele notou quem era ela.
"Ihhh só agora me reconheceu...lá vem a cara de bobo."
Agora ele falaria alguma coisa.
Nada.
Agora...nada.
Abriu a boca:


- Você vais usar o guardanapos?
Ele tremia.
"Você vais usar o guardanapos?!?!?"
Temia mudar de idiota para burro.
Estava acontecendo.
A culpa era dela.
Justamente ela que estava no metrô.
Ela e seu livro.
Ele e sua idiotice.
Gaguejou pra consertar.
Não adiantou.
Ela lhe salvou passando "o guardanapos" de uma vez.
Ele pediu desculpas.
Ela disse que não tinha problemas.
Ela sorriu.
Ele saiu.
Ele se achou estranho.


Ela voltou para o trabalho rindo.
"você vais usar o guardanapos?"
Era patético. Ela gostou.
Achou um charme ele estar nervoso.
Olhou para o livro.
Não leu nada.
Deu ódio.
O bobo tentou, ela facilitou.
E nada.
Nada de bobo, nada de livro.
Trabalhou pensando no metrô.
O livro tinha que acabar.
O amor tinha que acontecer.
O metrô não podia falhar.


Ele saiu do trabalho confiante.
Nunca mais faria isso.
Nunca mais!
falaria sobre tudo, sobre nada, mas falaria.
Virou escravo da idiotice, e isso era inaceitável.
Viu seu sonho despencar para amores de classificados.
Bateu no peito.
Isso nunca!
Falaria.
Não sabia o que, mas tinha coragem o suficiente para acertar pelo menos a concordância.
Pegou o metrô.
O metrô era uma benção.


Ela entrou no metrô.
Ela e seu sonho de terminar o livro.
Seu sonho despencava para amores de classificados.
Isso nunca!
Pensou no tempo em que perdeu com o bobo.
O bobo ou o livro.
O livro! Faça-me o favor.
Era agora ou nunca.
Duas páginas e o metrô.
O metrô era uma benção!


Ele se sentou na janela. Gostava de ter ampla visão pelo reflexo.
Ela entrou.
Ela sentou de frente para ele. Abriu o livro.
" Ela gosta de ler...perfeita!"
Ele não podia perder essa oportunidade.
Se levantou. Foi até ela.

Ela se sentou.
Abriu o livro.
Precisava terminar aquilo.
Só o livro.
Foco.
Não olhou, mas sabia que na cadeira da frente alguém lhe observava.
Era o bobo.
O idiota.
O imbecil que desfez seus planos.
Focou o livro.
Ele se levantou.
Idiota.
Focou o livro.
Ele parou perto dela.
Ele vai falar.

- Sabia que é a terceira vez que nos vemos hoje?

- Foda-se.

- Tá.

Ele saiu do metrô certo de que era idiota.
Ela terminou o livro.
O metrô se foi.
O metrô era um inferno.

12 Abril 2007

EXPLICO

"O amor que não fala
o amor que não abraça
o amor que chora
mas não perde a graça

que disfarça
dentro da pouca luz
do teu canto da sala
e desaba
na minha janela clara

é o amor que paraliza o ato
e estremece a calma

que seca a boca
e molha a palma

que perde o tato
e morde

que solta os braços
e cruza a alma

e gosta,
não mostra,
mas ama."

Emilio Dantas da Silveira Netto.

MOMENTOS NORMAIS - O ralo, o livro, o gato e as notas.

- Fechou então, vamos assistir ao "cheiro do ralo"!

- Quando?

- Na quarta, pra compensar o bolo que eu te dei.

- É né Emilio? Muito bonito o senhor me dando bolo assim de bobeira! Tem volta.

- Então a gente faz o seguinte. Fica marcado pra quarta e aí você me dá o bolo de volta. Fechou?

- Rs..tá bom.

- Então fechou, quarta, bolo, quinta, cheiro do ralo.

- Ok.

- Beijos e inté.

Entrei em casa ansioso pelo jogo que virou mania: Achar o Hermê pela casa. Outro dia o achei dentro de uma case de cabos, depois deitado entre a cpu e o monitor. Dessa vez tava foda.
"Hermê!". Nada. Olhei pela sala e nada. Cozinha, área, banheiro, quartos...nada.
"Caiu lá embaixo!".

nota mental 1 : Em situação normal, me daria um tapa na cara por ter dito "caiu lá embaixo"...mas eu estava preocupado com a integridade do pobre filhote.

Olhei pela janela e nada. De repente um miado. Não era abafado nem distante, mas vinha de um angulo esquisito. Olhei pra cima e lá estava o infeliz na última prateleira da estante da sala. "Como é que uma porra de um gato de um mês e meio sobe lá em cima?!?"

nota mental 2: Aliviado pela sobrevivência do bicho e sem mais desculpas, me dei um tapa na cara pelo "sobe lá em cima".

Botei o gato no chão, de frente pra estante. Ele não subiu. Deu sono. Dormi.

Os filmes nem tanto, mas os livros me influenciam, e muito. Sempre acabo me sugerindo à alguma personagem. Quando saio na rua me disponho a encarnar alguém. As vezes sou o mal-humorado detetive Harry Bosh dos livros do Michael Connely, em outras sou Geraldo Viramundo, o grande mentecapto, posso andar com uma sombrancelha levantada como Poirot, ou ser apenas mais um Buendía solitário...vez ou outra me pego como Emilio Dantas dos momentos normais, mas isso é raro...

- Cantor?

- Isso.

- Toca algum instrumento?

- Sim, sax e gaita.

- Não trouxe eles?

- Não...tenho compromisso depois daqui.

- Tudo bem, então depois adiciono à sua carteirinha.

- Ok.

- Cante então.

Fiz a prova para a OMB acompanhado por uma coroa gente fina, um mais que coroa muito gente fina e um secretário viado.

nota mental 3: Seguindo a regra do "castigo pleonástico", me dei um tapa pelo "secretário viado".

Passei na "prova". "Agora você já é um músico prático".

nota mental 4: Músico prático. Saquei, praticidade...pagou, passou.

O Senhorzinho da banca, todo de branco e com um sotaque forte de baiano, se apresentou. Presidente da Ordem. E me contou sobre seu tempo no exército em que fazia parte da banda tocando sax.
Levou 40 minutos.
Eu entendi 15.
Por alto a estória até que era interessante.
Depois me contou sobre o acidente que teve e sua saida do exército.
"Eu estava...horsisabnjafsh...tinha umas pedras...amiowdfjmcaef...caí e quebrei as duas pernas...sodijfoasiehbvoawis...eram dois cachorros filas, deste tamanho...biasdfhuiafuhaseh...salvaram e eu fiquei sem andar...njaefunefvuno...milagrosamente...sdjfoiafioha...e agora olhe pra mim!"
Essa foi mais rapidinha.
Tem outra.
Socorro.


Carteirinha na mão, voltemos à programação normal: Estúdio.

- E como tá o gatinho?

- Tá bem...já cagou os vermes, tá sem bicheira no ouvido...ficando bom.

- Legal. Vamos gravar mais cedo na quarta?

- Pô Clower, na quarta eu tenho que levar o Hermê pra tomar vacina.

- Manda o Hermê pro caralho.

- Eu quase esqueci do carinho que você tem pelos bichos.

Precisava saber onde estava passando o "cheiro do ralo". Internet. Descobri os horários, descobri as salas e descobri que o livro que deu vida ao filme estava apenas R$ 19,50.

Ela...que ha muito tempo não dava as caras, ligou. Cansado de tentar fugir do "vamos tomar um chopp", chamei ela pra tomar um chopp:

- Quando?

- Hoje.

- Hoje não dá Emilio, eu saio tarde do trabalho.

nota mental5: Sexta/gravação, quinta/ensaio, quarta/?...Ahhh quarta/bolo. Tomara que ela tenha levado a sério o papo do bolo.

- Quarta?

- Fechou.

Na quarta acordei mais cedo pra dar a vacina do Hermê. Depois descobri que não era cedo e não levei o Hermê pra tomar vacina. Fui comprar uma camisa. Acabei comprando o livro do "Cheiro do ralo" decidido a ler antes de ver o filme.
Cheguei no estúdio e o Clower estava fumando o tradicional "cigarro lá fora", por que o dono não curte cigarro.
E dali da varandinha a gente fica fumando, ouvindo as gravações e tendo papos que sem explicações maiores começam num guardanapo e terminam na teoria da energização da água.
Falavamos de novela.

- Tu via celebridades?

- Via pô! Maneira.

- Ahhh Clower, só por que tinha esse papo de "quem matou fulano".

- Ah mais é sempre bacana.

- A última novela "quem matou fulano" que eu acompanhei , foi a próxima vítima.

- Que também foi muito boa.

- Mas nem vi tudo. A última que acompanhei todos os capítulos mesmo foi "Tieta".

- Tieta?!?

- Tieta. E olhe lá.

- Eu gostava muito do papel da Joana Fon, a viúva Porcina.

- Nãããão...Porcina era no Roque Santeiro. Em Tieta era viúvaaaaa....eeeeeee.....

- Fugiu.

- Pois é, fico puto com isso.

- Eu também.

Liguei pra ela, pra saber o horário do chopp. Desligado.
Liguei de novo. Desligado.
Eu me arrependeria de ter marcado o chopp se a minha mente não estivesse voltada inteiramente em lembrar o nome da porra da viúva de Tieta.

O livro tem um formato estranho. As frases são soltas e a narrativa é em primeira pessoa e no presente. Coisa que eu não suporto.
Gostei.
A personagem é um típico babaca, e não tardou preu sair na rua como "o babaca', até porque a personagem não tem nome.

Alguns cigarros a mais lá fora, e voltamos pra gravar "normal".
Mas antes, uma ligadinha pra ela. Desligado.

- Tudo ok?

- Simbora.

- Vamos gravar a boa.

- O dinheiro/me botou na carteira/ pra pagar suas...Perpétua!!!

- Como é?!

- Perpétua porraaaaa!!!!

- Boa muleque!!!

Saí do estúdio sabendo que o chopp tinha ido pro ralo. " O cheiro do ralo". Eu só precisava de motivos pra ser babaca como o cara do livro.
Liguei pro Tobé e a galera estava no buxixo. Além da galera tinha umas meninas que eu acabara de conhecer...uma delas, tinha um peito absurdo de gostoso ( o outro também ) e estava fora do papo. Eu como um bom altruísta tentei uma aproximação.

nota mental6: Peitos.

- Como você se chama mesmo?

- "Fulana".

- De que?

- " de tal".

- Bacana...é de que origem?

- Italiano.

- E teu nome é só esse ou tem mais?

- Pra que você quer saber?!

- Opa...como assim? Eu só tava curioso.

- E eu tô curiosa pra saber porque você quer saber tantos detalhes do meu nome.

nota mental7: O cheiro do ralo.

- Quantas obturações você tem?

- Que isso garoto?

- Qual teu cílio preferido?

nota mental dela: babaca.

nota mental 8: deu certo.

Não consegui levar o Hermê pra vacinar de novo. Ainda tenho três filmes alugados pra ver e decidi ir até o MacDonald's almoçar. As mesas estavam cheias e só tinha um lugar vago na mesa de um casal.

- Posso me sentar aqui?

- Claro.

- Muito obrigado.

- Sabe, é raro ver jovens tão bem educados, pedindo licença para se sentarem...parabéns!

- Rs..que isso...obrigado.

nota mental última: Tua filha é gostosa?




03 Abril 2007

MOMENTOS NORMAIS - Um blog morto...(esperem! ele está respirando...afastem-se!)

Eu sei, eu sei, eu sei.

- E o teu blog?

- Que que tem?

- Como está?

- Ah...tá lá.

- Tem atualizado?

- Não...

- Nada de novo?

- Nem...

- Eu adoro o teu blog, me divirto muito!

- Pô, que bom...isso é raro.

- O que?

- Entrarem no blog.

- Ihhh, eu leio sempre!

- Sério? E você não notou que eu não escrevo nele tem mais de um mês?!

- O que? Eu? Ahh...sim...eu...

- Ta bom vai....já entendi...

- Não peraí...eu realmente entro sempre...que posso...

- Ah...

- É que ando trabalhando demais e não tenho muito tempo pra entrar no computador...

- Eu ja entendi.

- E o computador lá de casa tá ruim...então eu chego e durmo.

- Aham...

- Mas eu sempre leio sim...eu gostei muito daquele último texto do efeito borboleta do msn...

- Ok!...eu vou ali...

O som da Rua vai tocar no canecão dia 1 de Maio. Estamos ensaiando feito loucos. O problema é que depois que aprendi a me dividir em 5 em 2006, eu precisava fazer algo mais esse ano.

- Um EP, seis músicas...eu preciso disso!

- Vambora!

O interlocutor era Clower Curtis, que comprou a idéia e aceitou produzir a parada. Depois foi só conversar com os amigos.

- E que músicas estarão nesse EP?

- 5 da patuvê e uma inédita.

- E o nome do Ep?

- Eu pensei em fazer uma homenagem a Patuvê!, afinal a coisa toda teve início lá...e esse "início lá" eu vou gravar aqui nesse EP. Mesmo que eu não esteja mais na Patuvê, ela vai estar aqui, junto comigo nesse EP e aí...

- Qual o nome?

- "Aqui onde não estou"

- Legal.

Me desfiz da Gorda no ínicio do ano. Encontrei ela na portaria e, com um único intuito de ajudar aquela filhotinha de gata que deveria ter menos de um mês, aceitei hospeda-la por um fim de semana. Conclusão, fiquei mal quando aquele bicho foi embora...

Entre ensaios e gravações eu tinha a opção de participar dos papos da galera da firma, ou alugar alguns mil filmes na locadora...apostei na primeira:

- Lembra do Lango-lango?

- Claro! Eu tinha o verde...

- Ai ai...brinquedos da infância...

nota mental 1: Qual serão os brinquedos que não são da infância?!

- Lembra daquele brinquedo que eram duas bolinhas com uma corda..e você tinha que ficar girando e batendo?

- Lembro sim, Mauro.

- Pois é...aquilo dava cancêr.

- ???

Achei melhor alugar um filme.

As locadoras são excelentes pontos de pesquisa para o "que parada!", assim como qualquer outro ponto público como as lojas de convêniencia e os ônibus...o problema é que eu passo mais tempo dentro da locadora.

- Esse aqui deve ser bom né amor?

Eu estava parado olhando um DVD e permaneci ali tentando não acreditar que o senhorzinho de cabeça baixa estava falando comigo.

- Que que você acha? Hein?

Ele me deu duas cotoveladas que só não me fizeram ter certeza de que a pergunta era pra mim, porque eu sou muito perseverante.
Do outro lado da prateleira uma senhorita gorducha, morena, de óculos, baixinha e que nada tinha haver comigo ( talvez apenas a gordura e os bigodes), me salvou.

- Desculpa...ele achou que você era eu.

Você deve estar pensando que eu olhava pasmo para a cara do casal em movimentos frenéticos com a cabeça...mas não. Eu estava fixo, imóvel, como no ínicio, olhando para a capa do DVD, talvez tentando entrar nela.

O senhorzinho, por fim levantou a cabeça e me confessou sem graça...

- Desculpe meu filho...é que eu não enxergo.

"Ahh", pensei eu, "que susto...agora não preciso mais me preocupar com a possível semelhança com sua senhora! Em compensação, como é que o senhor escolheu esse filme na prateleira?!?!"

Saí da locadora assustado...tendo a conversa do casal no fundo. O senhor cego sabe-se-lá-como estava estendendo outra capa de filme para a gorducha que empurrava o DVD dizendo:

- Ahh não..não me venha com esses filmes de "Deu a louca.." que eu não suporto!

No fundo, alguma coisa me levava a crer que ele escolhia os filmes aleatóriamente.


- Quer que ponha o click?

- Precisa não.

- Quer que ponha o click?

- É melhor né?

- Achei que você perceberia isso quando começou a sair do ritmo a três horas atrás...mas quer que ponha o click?

- Tá.

As gravações começaram e eu aprendi três coisas com o Clower.

1 - Temos que trabalhar com possibilidades.
2 - As balas de mel da lojinha "ali de baixo" são incríveis.
3 - É melhor usar o click.

Saindo do estúdio, na descida da ladeira, o filhote de gato miava sem parar. Peguei ele e joguei num canteiro de uma casa..."Ali ele vai ficar seguro...se sobreviver à queda." Ele deu a volta no portão da casa e não saiu voando tocando harpa. Tava vivo. Me seguiu pelo resto da ladeira, depois da terceira curva, olhei bem na cara dele..."vambora pra casa."

- Quer dizer que a tua onda é salvar animais indefesos pela rua.

- Não, nem é isso..até porque eu sou alérgico a gatos.

- E vai leva-lo pra casa?

- É bom ter o inimigo por perto.

- Bom...sei lá...tu sabe da minha filosofia animal né?

flashback1:
Estavamos no Mills gravando umas vozes, quando os cachorros do estúdio começaram uma sanguinolenta batalha. Eu via tudo da janela assustado quando um deles voltou pingando sangue do mato e o outro gania de longe.

- Coé Clower, tu não vai fazer nada?

- Deixa a natureza agir...

Agora eu descia a rua com um cigarro na mão e o gato na outra.

- Já vi que tu vai ficar mesmo com esse bicho.

- Talvez...

- Já deu nome pra ele?

- Acho que vou por o nome de Hermenegildo...já que esse é o nome da rua que a gente o achou.

- Não tem um nome melhor?

- Eu pensei em "cachorro" ou "vesgo".

- É, Hermenegildo é um nome legal.

Na manhã seguinte o povo chegou pra trabalhar. Armando me explicava que quase pisou no Herme.

- Quase pisei no teu gato.

- Tudo bem...deixa a natureza agir.

Mauro chegou animado com o celular novo que comprou.

- Ihh um gato...que maneiro! Vou tirar fotos dele.

- Pra que, Mauro?

- Vou tirar fotos dele!

- Tudo bem.

Mauro ficou meia hora tirando fotos do Herme comendo, cagando, dormindo e tudo isso em meio a comentários de quanto as fotos do celular eram boas...

- Mauro, ao invés de ficar tirando fotos, tu deveria procurar alguma coisa maneira pra ele brincar...

- Ahhh podes crer...tem um toque aqui que ele vai achar maneiro!

Achei melhor devolver os filmes.