- Ezequiel, o que você quer ser quando crescer?
- Ih professora, o que der pra ser né?
- Você não sonha com nada no futuro?
- Sonho sim. Em ser rico trilhardário! Comprar o mundo inteiro, fazer o que eu quisesse!
- Mas isso é difícil, Ezequiel!
- Por isso eu chamo de "sonho". Tô achando que a senhora tá querendo saber meus "planos".
- Isso.
- Ah, esses então eu não faço a menor idéia.
- Mas você precisa sonhar com uma profissão.
- Não, não preciso não. Professora, eu lá sei o que virá depois da internet! Tem um monte de empregos rolando ai que não existiam quando eu nasci. A sorte é que aqui no Brasil a coisa não anda tão rápido quanto lá fora né?
- E isso te incomoda?
- Um pouco.
- Então porque você não sonha em ser presidente do Brasil, por exemplo?
- Professora, leva a mal não, mas a solução pro Brasil já não dá mais pra acontecer.
- E qual seria a solução, Ezequiel?
- A solução era quando Cabral encontrou o Brasil, alguém bater o salve-todos.
29 Maio 2009
Nobreza é adereço.
Eram duas e meia da tarde na agência.
- Boa tarde, em que posso ajudá-lo?
- Bem, eu queria um empréstimo.
- Qual o valor?
- 15.000 reais.
- E qual o motivo? Aplicações? Investimento?
- Torrar. É que eu não tenho essa grana e gostaria muito de ter pra gastar com algumas coisas...
- Desculpe-me, mas você está me pedindo um empréstimo de 15.000 reais pra "torrar"?!
- É. Imagine que coisa boa! 15.000 pr'eu gastar com as coisas que eu gosto...
- É impossível, lamento...
- ...Mulheres, bebida...
- Olha eu sinto muito mesmo...
- Um peixinho na praia, mulheres...
- Olha eu gostaria que o senhor me desse licença...
- ...Comprar um bom cachimbo...
- Eu acho...opa! Peralá, o senhor fuma cachimbo?
- Sim.
- Ahhh por que não disse logo?!
- Não achei que fosse importante.
- Mas é claro que é! Me perdoe por não ter dado a atenção devida, de quanto era mesmo o empréstimo? vinte mil?
- Quinze.
- Leva vinte! Cinco a mais, cinco a menos...
- Puxa obrigado.
- Naaada, que isso. Agora me diz uma coisa, o senhor está com o cachimbo aí?
- Olha rapaz, eu nunca saio de casa sem o meu cachimbo...ele é velhinho mas...
- Ah o senhor vai ter que fumar ele agora, por favor, eu faço questão...
- Tá ué...tudo bem.
- Nossa, o Gomes vai ficar doido quando vir o senhor fumando cachimbo bem aqui na minha mesa.
- Mas porque?
- Ah, semana passada ele ficou todo todo porque um cidadão foi se atender com ele fumando um charuto...mas o senhor sabe...cachimbo é cachimbo!
- Eu tambem acho! Mas, e o meu empréstimo?
- Já transferi! O senhor não viu?
- Não prestei atenção.
- Ah então eu vou até transferir de novo enquanto o senhor acende essa maravilha. Trinta né?
- Bom eu...
- Cinquenta, pronto! Nem acredito, isso é que é status...o senhor não sabe, mas pode ser até que eu seja promovido, olha que maravilha de cachimbo! As pessoas já estão até olhando!
- Pois é rapaz...
- O senhor faz o que? É Doutor? Professor? Já sei! Geólogo!
- Não, não...eu trabalho varrendo cabelos na barbearia ali da rua do lado...mas não tenho nem carteira assinada.
- Ah, mas não importa, com um cachimbo desses o senhor vai longe! E eu também! Pode soprar a fumaça pro lado daquele senhor ali ó, o Gomes...ihihihih...
- O senhor é um homem muito bom.
- E o senhor é um prodígio com esse cachimbo! É um verdadeiro Doutor! Quer mais cinquenta?
- Boa tarde, em que posso ajudá-lo?
- Bem, eu queria um empréstimo.
- Qual o valor?
- 15.000 reais.
- E qual o motivo? Aplicações? Investimento?
- Torrar. É que eu não tenho essa grana e gostaria muito de ter pra gastar com algumas coisas...
- Desculpe-me, mas você está me pedindo um empréstimo de 15.000 reais pra "torrar"?!
- É. Imagine que coisa boa! 15.000 pr'eu gastar com as coisas que eu gosto...
- É impossível, lamento...
- ...Mulheres, bebida...
- Olha eu sinto muito mesmo...
- Um peixinho na praia, mulheres...
- Olha eu gostaria que o senhor me desse licença...
- ...Comprar um bom cachimbo...
- Eu acho...opa! Peralá, o senhor fuma cachimbo?
- Sim.
- Ahhh por que não disse logo?!
- Não achei que fosse importante.
- Mas é claro que é! Me perdoe por não ter dado a atenção devida, de quanto era mesmo o empréstimo? vinte mil?
- Quinze.
- Leva vinte! Cinco a mais, cinco a menos...
- Puxa obrigado.
- Naaada, que isso. Agora me diz uma coisa, o senhor está com o cachimbo aí?
- Olha rapaz, eu nunca saio de casa sem o meu cachimbo...ele é velhinho mas...
- Ah o senhor vai ter que fumar ele agora, por favor, eu faço questão...
- Tá ué...tudo bem.
- Nossa, o Gomes vai ficar doido quando vir o senhor fumando cachimbo bem aqui na minha mesa.
- Mas porque?
- Ah, semana passada ele ficou todo todo porque um cidadão foi se atender com ele fumando um charuto...mas o senhor sabe...cachimbo é cachimbo!
- Eu tambem acho! Mas, e o meu empréstimo?
- Já transferi! O senhor não viu?
- Não prestei atenção.
- Ah então eu vou até transferir de novo enquanto o senhor acende essa maravilha. Trinta né?
- Bom eu...
- Cinquenta, pronto! Nem acredito, isso é que é status...o senhor não sabe, mas pode ser até que eu seja promovido, olha que maravilha de cachimbo! As pessoas já estão até olhando!
- Pois é rapaz...
- O senhor faz o que? É Doutor? Professor? Já sei! Geólogo!
- Não, não...eu trabalho varrendo cabelos na barbearia ali da rua do lado...mas não tenho nem carteira assinada.
- Ah, mas não importa, com um cachimbo desses o senhor vai longe! E eu também! Pode soprar a fumaça pro lado daquele senhor ali ó, o Gomes...ihihihih...
- O senhor é um homem muito bom.
- E o senhor é um prodígio com esse cachimbo! É um verdadeiro Doutor! Quer mais cinquenta?
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